Talvez ela não sentia saudade de alguns fragmentos. Pois algumas coisas que habitavam nela, habitavam nele também. Eu explico. Saudade é perceber algo no outro que existe em nós.
Ela também defendia a ideia de que a memória não era apenas acessar um conhecimento do passado, mas era a possibilidade efetiva de viver de novo o que acontecesse.
Mas ela preferia não alimentar o seu futuro só de memórias.
Talvez ele revivesse aquelas memórias todos os dias, por isso não a procurava. Ela não sabia se era tão capaz de contemplar a saudade sozinha...
Estava tão crente daquele pequeno verso em apuros, que o escreveu num bilhete. "Ora Menino, há tantas coisas pra se dizer, há tantos olhares para se trocar..." Que ela tinha certeza de que ele sonhou com aquelas palavras.
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