quinta-feira, 25 de setembro de 2014

segundo setembro.

 É tarde da noite e me pergunto aonde você está.
 Ela se levantará apavoradamente de sua cama buscando por ar, e aos poucos consegue respirar com o ar fresco da varanda. Despertar as tres horas da manhã com crise de asma pra ela se torna apenas mais um alerta de que deve parar de tragar a sua ausência, que é uma dor emocional junto com o alívio do tabaco.
 Naquela noite chuvia, uma garoa tão confortante como a de São Paulo. A fazendo lembrar das meras coisas que ela realmente gosta de ouvir e sentir. Ela escreverá sob um céu chuvoso que, lembrarmos quem realmente somos é o maior presente que podemos encontrar em noites que parecem arruinadas; tudo sao pequenos gestos.
Houve um dia em que ela decidiu guardar fotos dela sorrindo ao lado daquele que se despediu, retirar da vista dela e as salvar em algum canto só lembrado por ela. As fotos não foram a decisão mais dificil que ela tomou. Se esquecer de quem ela era, tentando o esquecer, foi o crime mais cruel que poderia ter cometido.
 Ela então agradecerá a chuva de setembro, aos poucos segundos sem ar que a fez acordar e se lembrar que a vida é incrível.

 Faz meses, anos. E nos últimos tempos reaprendi a respirar calmamente. Nos últimos tempos aprendi a me perdoar, e principalmente a amar de forma mais harmoniosa possível.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

10.09

 Acaso.
 Impossibilidade de localizar determinados recados. A imprevisibilidade das palavras. A falta de controle sob o tempo.

 Tracei com tinta permanente nossos sonhos pelo corpo, em uma época que mal sabíamos conjugar o sentido das palavras finitas. Visitei praças em que habitávamos em tentativa de que nunca soubessem do nosso elo, hoje, esse desejo foi realizado. Só cabe a mim lembrar.
 Já contribui com todas as ruas que você passava. Já me perdi em ingressos nos quais não sabia como você chegava. Tentei criar encontros. Reescrever as histórias das praças.

 Mas só bordava tardes vazias. Contribui para que pessoas ficassem tão frias quanto a mim, na tentativa de envolve-las no meu sonho de buscar a plenitude dos sentidos perdidos.

 Hoje o acaso só faz sonhos. Nos encontramos apenas entorpecidos/adormecidos, e me questiono se assim vai se construir nossa eternidade.