terça-feira, 31 de agosto de 2021

Afogar

 Quem gosta da sensação de afogamento?

Nós, asmáticos, temos aversão a qualquer tipo de coisa que impeça nossa passagem de ar. 

Sempre tive um certo receio de você que me prende contra as suas palavras, me jogam tão fundo em um oceano de injúrias que não consigo sobressaltar e buscar uma esperança de oxigênio ou um contra-argumento. 


O ódio é uma sensação de afogamento e o perdão é a de quando se consegue alcançar a praia. 


A certeza de que não se conhece a imensidão do oceano e de que nunca mais poderá se aproximar dele é como se antecedesse a morte por submersão. 



segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Já leu sobre o amor?

 Já te fizeram alguma pergunta e você não soube responder? Pq seria uma resposta sobre alguém fascinante que você não encontra palavras e gostaria que o outro sentisse o mesmo céu de ano novo que sente quando a olha?

Quando queria descrever o amor era essa dificuldade que encontrava; as palavras não são precisas quanto os sentimentos vividos. 

Quase uma década que escrevo sobre esse sentimento que carregava minha esperança futurística, o arquétipo de paz perfeito. 

Nas últimas voltas dos planetas, reflito sobre meu medo de nunca mais escrever sobre isso, ou tentar descrever alguém fascinante.

O mundo escolheu não sentir nada. 

Você acompanha o passear do mundo pelos planetas?

O tempo está desfazendo as promessas,

e acentuando a única ideia fúnebre; de que embora nada se repetirá nenhum sentimento se igualará ou se sobressaíra. 

O mundo escolheu não sentir nada, nós devemos acompanhar o mundo?


Uma década que construí um arquétipo perfeito sozinha. Como pode, fazer um ensaio de tantos anos e agora passar os dedos nas cinzas que sobraram e entender que o mundo escolheu não sentir nada e que o amor não é real?