É tarde da noite e me pergunto aonde você está.
Ela se levantará apavoradamente de sua cama buscando por ar, e aos poucos consegue respirar com o ar fresco da varanda. Despertar as tres horas da manhã com crise de asma pra ela se torna apenas mais um alerta de que deve parar de tragar a sua ausência, que é uma dor emocional junto com o alívio do tabaco.
Naquela noite chuvia, uma garoa tão confortante como a de São Paulo. A fazendo lembrar das meras coisas que ela realmente gosta de ouvir e sentir. Ela escreverá sob um céu chuvoso que, lembrarmos quem realmente somos é o maior presente que podemos encontrar em noites que parecem arruinadas; tudo sao pequenos gestos.
Houve um dia em que ela decidiu guardar fotos dela sorrindo ao lado daquele que se despediu, retirar da vista dela e as salvar em algum canto só lembrado por ela. As fotos não foram a decisão mais dificil que ela tomou. Se esquecer de quem ela era, tentando o esquecer, foi o crime mais cruel que poderia ter cometido.
Ela então agradecerá a chuva de setembro, aos poucos segundos sem ar que a fez acordar e se lembrar que a vida é incrível.
Faz meses, anos. E nos últimos tempos reaprendi a respirar calmamente. Nos últimos tempos aprendi a me perdoar, e principalmente a amar de forma mais harmoniosa possível.
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